Aos 64 anos, Tom Cruise volta à capa da GQ e revela um lado que raramente mostra
Aos 64 anos, Tom Cruise volta à capa da GQ e revela um lado que raramente mostra
18/09/2026 / Por Margarida Costa / Celebridades
Tom Cruise aos 64: uma nova capa, uma rara entrevista e um ator que não pensa em abrandar
Vinte anos depois da última capa para a revista, Tom Cruise regressa à GQ para uma das entrevistas mais extensas que concedeu nos últimos anos. Entre uma sessão fotográfica que rapidamente chamou a atenção, a intensidade que o acompanha dentro e fora dos sets e uma personagem muito diferente daquela a que habituou o público, o ator entra numa nova fase da carreira sem parecer interessado em abrandar.
Há estrelas de Hollywood que estão constantemente a contar a própria história. Tom Cruise pertence quase ao extremo oposto. Apesar de continuar a ser um dos rostos mais reconhecidos do cinema, entrevistas longas e pessoais tornaram-se raras na sua carreira.
É por isso que o seu regresso à capa da GQ, publicado a 15 de setembro, não é apenas mais uma produção editorial. Cruise não aparecia numa capa da revista há cerca de 20 anos e não concedia uma entrevista aprofundada a uma revista norte-americana há mais de uma década. A edição de outubro é ainda a maior iniciativa de capa global alguma vez realizada pela GQ, distribuída por 20 mercados. E, aos 64 anos, o ator regressou sem grande interesse em nostalgia.
Fotografado por Mario Sorrenti, Tom Cruise aparece numa produção que troca parte da imagem altamente polida das estreias de cinema por algo mais descontraído.
Numa das fotografias que mais circulou nas redes sociais, surge sentado num quarto, com uma camisa escura aberta. Na capa, fotografada a preto e branco, volta a aparecer com a camisa desabotoada e jeans. A produção inclui ainda peças de marcas como Tom Ford, Dolce & Gabbana e Wrangler.
Aos 64 anos, a imagem tornou-se inevitavelmente parte da conversa em torno da edição. Mas a entrevista que acompanha as fotografias revela algo talvez mais interessante: Cruise continua tão obcecado pelo cinema como sempre esteve.
Cruise nunca desapareceu verdadeiramente do espaço público. Continuou a promover filmes, a aparecer em estreias e a dar entrevistas relacionadas com os seus projetos. O que praticamente deixou de fazer foram os grandes perfis em que a conversa vai além de alguns minutos promocionais. Questionado sobre o motivo, deu uma explicação bastante simples: esteve ocupado.
O ator contou que prefere passar o tempo a fazer filmes, a aprender novas competências e a trabalhar, em vez de falar sobre si próprio. Na entrevista, fica clara uma característica que atravessa grande parte da sua carreira: Cruise parece muito mais interessado no processo de fazer cinema do que em analisar a sua própria celebridade.
Há uma reputação que Tom Cruise não tenta propriamente desmentir.
Ao longo dos anos, várias histórias sobre o seu nível de exigência nos sets ajudaram a construir a imagem de um ator extremamente intenso. Quando a GQ abordou diretamente essa questão, Cruise confirmou a essência dessa descrição.
“I am intense”, admitiu.
Explicou também que espera muito das pessoas com quem trabalha, mas que procura deixar essas expectativas claras desde o início. Para Cruise, essa exigência está ligada à responsabilidade que sente perante as produções em que participa. Não é propriamente surpreendente vindo do homem que transformou saltar de aviões, conduzir motas por precipícios e agarrar-se ao exterior de aeronaves numa parte quase normal da sua profissão. Mas desta vez, o próximo grande risco não envolve necessariamente uma acrobacia.
O principal motivo para esta nova fase chama-se Digger.
Realizado por Alejandro G. Iñárritu, o filme coloca Cruise no papel de Digger Rockwell, um magnata do petróleo. É uma personagem deliberadamente afastada da imagem física e heroica que o ator consolidou através de filmes como Mission: Impossible e Top Gun: Maverick. O próprio Cruise descreve a personagem como uma das mais desafiantes da sua carreira e vê o projeto como uma espécie de culminação das competências que foi adquirindo ao longo de quatro décadas no cinema. É também uma mudança significativa de território. Digger representa um regresso a um tipo de projeto que Cruise explorava com maior frequência antes de se tornar tão associado aos grandes filmes de ação e aos franchises.
Há algo curioso numa entrevista publicada precisamente num momento em que seria fácil transformar quatro décadas de carreira numa grande celebração nostálgica. Cruise prefere falar do que ainda não fez. Quando questionado sobre as ideias erradas que o público poderá ter sobre ele, explicou que não passa muito tempo a pensar nisso. A sua atenção, diz, está sobretudo no presente e no futuro.
É uma postura coerente com uma carreira construída em torno da procura constante do próximo desafio, seja aprender uma nova habilidade para uma personagem, executar uma acrobacia aparentemente impossível ou, agora, afastar-se novamente do herói de ação que definiu grande parte da sua imagem recente. A sessão fotográfica pode ter feito a Internet falar sobre a aparência de Tom Cruise aos 64 anos. Mas talvez o mais interessante desta nova capa seja outra coisa: 20 anos depois, ele regressou ao mesmo lugar sem qualquer intenção de ser o mesmo homem que apareceu lá da última vez.