Do banco à saída do estágio: o que aconteceu entre Cristiano Ronaldo e a Seleção
Do banco à saída do estágio: o que aconteceu entre Cristiano Ronaldo e a Seleção
02/10/2026 / Por Margarida Costa / Desporto
Cristiano Ronaldo e a Seleção: como uma decisão de Jorge Jesus mudou o enredo
Cristiano Ronaldo abandonou o estágio da Seleção Nacional depois de vários dias de tensão em torno da sua utilização por Jorge Jesus. Uma história que começou no banco frente à Noruega, passou por declarações que levantaram dúvidas e ganhou uma nova imagem simbólica: Rafael Leão com a camisola “7”.
Durante mais de duas décadas, Cristiano Ronaldo e a Seleção Nacional construíram uma história difícil de separar. Desde a estreia pela equipa principal, em 2003, o avançado atravessou diferentes gerações, selecionadores e grandes competições, tornando-se capitão e estabelecendo recordes de internacionalizações e golos por Portugal.
É precisamente por isso que a decisão de abandonar o estágio em Copenhaga ganhou uma dimensão muito maior do que uma simples ausência. O episódio colocou dúvidas sobre o futuro de Ronaldo na equipa nacional, embora não tenha existido qualquer anúncio formal do fim da sua carreira internacional.
O episódio ganhou força na vitória de Portugal por 2-1 frente à Noruega. Cristiano Ronaldo começou no banco e acabou por não ser utilizado por Jorge Jesus. O selecionador explicou posteriormente que tinha equacionado lançar o capitão durante a segunda parte, mas a evolução da partida levou-o a manter outras opções. Gonçalo Ramos marcou e teve outro golo anulado, acabando por permanecer em campo.
No final do encontro, Ronaldo seguiu diretamente para o túnel enquanto os restantes jogadores agradeciam o apoio dos adeptos. A imagem rapidamente chamou a atenção e tornou-se o primeiro sinal público de uma situação que continuaria a desenvolver-se nos dias seguintes. Ronaldo falhou depois os trabalhos no relvado, tendo a FPF explicado, numa das ocasiões, que realizou treino individual no ginásio.
Com as dúvidas a aumentarem, Jorge Jesus procurou afastar publicamente a ideia de uma rutura com o capitão e garantiu que Ronaldo nunca se tinha recusado a cumprir as suas indicações. Mas, antes do encontro com a Dinamarca, o selecionador confirmou Gonçalo Ramos como titular e deixou clara a forma como pretendia gerir a equipa: “Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias como treinador.”
A declaração ganhou inevitavelmente outra dimensão perante tudo o que estava a acontecer. Pouco depois, Cristiano Ronaldo tomou a decisão de abandonar o estágio.
Depois de uma conversa com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Ronaldo confirmou publicamente que deixaria a concentração da equipa nacional. Na mensagem publicada nas redes sociais, não explicou detalhadamente os motivos, mas deixou uma frase que manteve a história em aberto: “A seu tempo, direi a verdade a todos os Portugueses.” O jogador desejou ainda boa sorte aos companheiros e a Portugal.
A Federação confirmou a sua saída e a Seleção continuou a preparação sem o capitão. Apesar do impacto da decisão, há uma distinção importante: abandonar este estágio não significa, por si só, abandonar definitivamente a Seleção Nacional. Cristiano Ronaldo não anunciou formalmente o fim da carreira internacional.
A ausência de Ronaldo trouxe ainda uma mudança particularmente simbólica. Para o encontro com a Dinamarca, Rafael Leão passou do habitual “17” para a camisola “7”, enquanto Fábio Silva ficou com o número anteriormente utilizado pelo jogador do AC Milan. A imagem pode parecer uma passagem de testemunho, mas não existe qualquer indicação oficial de que Rafael Leão tenha herdado definitivamente o “7” de Cristiano Ronaldo. A alteração está relacionada com a numeração utilizada para o encontro e com a ausência do capitão.
Ainda assim, é difícil ignorar o significado daquele número. Ao longo de mais de 20 anos, Ronaldo transformou o “7” numa parte da própria identidade. O nome “CR7” ultrapassou o futebol e tornou-se uma marca reconhecida mundialmente. Ver outro jogador com esse número num momento de incerteza em torno da continuidade do capitão cria, por isso, uma das imagens mais marcantes de todo este episódio.
O que começou com uma opção técnica acabou por transformar-se numa das situações mais delicadas da longa relação de Cristiano Ronaldo com Portugal. Primeiro, o banco. Depois, um jogo inteiro sem entrar, a saída para o túnel, os treinos falhados, as declarações de Jorge Jesus e, finalmente, a decisão de deixar o estágio acompanhada pela promessa de que haverá uma explicação. Pelo meio, até a camisola “7” mudou de jogador.
A Seleção continua o seu caminho e o “7” continua em campo. O que esta história significará para o futuro de Cristiano Ronaldo com Portugal é um capítulo que ainda está por escrever.