Do preto ao branco: os vestidos de noiva de Gabriette que estão a conquistar a moda
Do preto ao branco: os vestidos de noiva de Gabriette que estão a conquistar a moda
23/07/2026 / Por Margarida Costa / Moda
Gabriette reinventou o vestido de noiva e dividiu opiniões com um visual gótico de alta-costura
Do preto ao branco, da inspiração em Drácula às silhuetas vitorianas, a modelo escolheu três looks que desafiaram as convenções e provaram que, hoje, ser noiva pode significar muito mais do que seguir tradições.
Quando pensamos num vestido de noiva, é quase inevitável imaginar renda, romantismo e silhuetas clássicas. Mas Gabbriette decidiu seguir um caminho completamente diferente. Para o casamento com Matty Healy, vocalista da banda britânica The 1975, a modelo escolheu três coordenados exclusivos da marca parisiense Matières Fécales, tornando-se a primeira noiva da etiqueta e transformando o casamento numa verdadeira declaração de moda.
Longe das tendências minimalistas que dominaram os últimos anos, os três visuais exploraram referências góticas, desconstruídas e vitorianas, combinando técnicas de alta-costura com uma estética dramática que rapidamente conquistou as redes sociais.
Por detrás das criações estão os designers canadianos Hannah Rose Dalton e Steven Raj Bhaskaran, fundadores da Matières Fécales, uma marca conhecida pelas suas coleções experimentais e pelas silhuetas distorcidas que desafiam os códigos tradicionais da moda.
Em entrevista à Vogue, Gabbriette explicou que sempre admirou o trabalho da dupla precisamente por acreditar que as suas peças contam histórias através dos tecidos. A colaboração começou com uma simples mensagem privada e, ao longo de mais de cinco meses, evoluiu para três looks criados exclusivamente para aquele dia.
O primeiro visual, usado antes da cerimónia e batizado de "Leigh", foi desenvolvido a partir de um vestido vintage preto da Maison Margiela que já fazia parte do guarda-roupa da modelo.
A peça foi completamente reinterpretada através da assinatura da Matières Fécales, com aplicações de tule desfiado feitas à mão, criando uma longa cauda branca que contrastava com o preto do vestido. Segundo os designers, a inspiração nasceu da paixão partilhada entre Gabbriette e a equipa criativa pelo universo de Drácula, resultando num visual simultaneamente sombrio, romântico e teatral.
Para a cerimónia, Gabbriette trocou o preto por um vestido branco de tafetá de seda denominado "Gabriella". Apesar da mudança de cor, a estética manteve-se fiel ao universo da marca.
Inspirado nas silhuetas vitorianas, o vestido foi totalmente plissado à mão e apresentava um corpete estruturado, mangas com acabamento em tule desfiado e uma volumosa cauda composta por várias camadas. O véu, criado pelo conceituado chapeleiro britânico Stephen Jones, reforçou ainda mais o dramatismo da produção.
Segundo os criadores, o objetivo nunca foi criar um vestido de noiva tradicional, mas sim uma peça de alta-costura capaz de refletir a personalidade única da modelo.
Depois da cerimónia, Gabbriette voltou a surpreender ao trocar o vestido por um conjunto branco de duas peças em pele de cordeiro, composto por um casaco estruturado e calças de cintura subida.
O visual foi complementado por um pequeno chapéu em cetim branco, novamente assinado por Stephen Jones, e por sapatos desenvolvidos numa colaboração entre Christian Louboutin e Matières Fécales. O resultado manteve a linguagem estética da coleção, provando que os três coordenados faziam parte da mesma narrativa visual.
Os vestidos rapidamente se tornaram um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Enquanto alguns elogiaram a originalidade e a coragem de Gabbriette por fugir às convenções, outros criticaram a estética sombria escolhida para um casamento.
Independentemente das opiniões, há um consenso: a modelo conseguiu transformar o vestido de noiva numa verdadeira peça de expressão artística. Mais do que seguir tendências, Gabbriette mostrou que a moda continua a ser uma forma de identidade e que, para algumas noivas, o vestido perfeito não é aquele que respeita as regras, mas sim aquele que conta a sua própria história.