Entre a arte e a moda: os momentos que marcaram a Semana de Alta-Costura de Paris
Entre a arte e a moda: os momentos que marcaram a Semana de Alta-Costura de Paris
10/07/2026 / Por Margarida Costa / Moda
A alta-costura voltou a provar que a moda é arte
Entre vestidos que desafiaram a ciência, estreias históricas e coleções inspiradas na natureza, Paris recebeu uma das semanas de alta-costura mais criativas dos últimos anos.
Durante quatro dias, Paris transformou-se novamente no maior palco da criatividade. A Semana da Alta-Costura Outono/Inverno 2026-2027 aconteceu entre os dias 6 e 9 de julho e reuniu algumas das mais prestigiadas casas de moda do mundo e confirmou aquilo que a alta-costura representa desde sempre: um espaço onde a imaginação não conhece limites.
Mais do que apresentar tendências, esta edição foi marcada por coleções que cruzaram moda, arte, tecnologia e artesanato. Entre materiais inovadores, silhuetas escultóricas e detalhes executados à mão durante centenas de horas, ficou claro que a alta-costura continua a ser muito mais do que roupa, é uma forma de expressão.
Schiaparelli abriu a semana com um desfile quase futurista
Como já é tradição, a Schiaparelli voltou a surpreender. Daniel Roseberry apresentou uma coleção onde o corpo humano serviu de ponto de partida para criar silhuetas esculturais e peças que pareciam verdadeiras obras de arte.
O silicone foi trabalhado como nunca antes pela maison, moldado sobre esculturas de cerâmica para criar vestidos com um efeito tridimensional impressionante. Algumas peças eram iluminadas por dentro, enquanto outras exibiam delicados bordados construídos com pétalas de flores preservadas.
Poucas horas depois do desfile, Zendaya surgiu num evento internacional com um dos looks apresentados na passerelle, provando o impacto imediato da coleção.
Jonathan Anderson escreveu o primeiro capítulo da nova Dior
A estreia de Jonathan Anderson era uma das mais aguardadas da temporada e não desiludiu.
Inspirando-se na artista Lynda Benglis, o designer apresentou uma Dior delicada, artística e profundamente contemporânea. Flores bordadas, transparências, texturas inesperadas e acessórios minuciosamente trabalhados deram vida a uma coleção onde cada detalhe parecia pensado como uma peça de museu.
As malas, os sapatos e os bordados florais revelaram o trabalho artesanal que continua a distinguir a alta-costura.
O encerramento do desfile surpreendeu ao abandonar a tradicional noiva e optar por um elegante vestido preto, numa referência subtil ao icónico "revenge dress", eternizado pela princesa Diana.
Quando a ciência encontra a moda
Se há nome que continua a desafiar os limites da criatividade, esse nome é Iris van Herpen.
Nesta coleção, apresentou um vestido desenvolvido com tecnologia de plasma, capaz de criar um efeito luminoso em constante movimento. O resultado parecia quase vivo, reforçando a forma como a designer continua a aproximar a moda da inovação científica.
Mais uma vez, Iris van Herpen mostrou que, na alta-costura, o impossível pode mesmo tornar-se realidade.
As estreias que marcaram Paris
Esta edição ficou também marcada por importantes mudanças nas grandes casas de moda.
Pierpaolo Piccioli apresentou a sua primeira coleção para a Balenciaga, reinterpretando o legado de Cristóbal Balenciaga através de volumes elegantes e uma visão contemporânea.
Já o designer indiano Manish Malhotra fez finalmente a sua estreia oficial na Semana de Alta-Costura de Paris, levando o requinte dos bordados e do artesanato indiano para um dos palcos mais exclusivos da moda mundial.
Quando a fantasia sobe à passerelle
Nem tudo se resumiu à elegância clássica.
Robert Wun voltou a transformar a passerelle num verdadeiro espetáculo visual, com vestidos inspirados em balões, caixas de música e esculturas.
Viktor & Rolf apresentaram uma performance onde apenas duas modelos representavam diferentes fases da vida, reforçando a ideia de que a alta-costura também pode contar histórias.
A Chanel levou-nos para um jardim encantado
A coleção de Matthieu Blazy para a Chanel foi uma das mais delicadas da semana.
Inspirada na natureza e nos contos de fadas, apresentou vestidos cobertos por flores, bordados minuciosos e acessórios que pareciam saídos de um universo mágico.
As malas em forma de maçã, flores e pequenos elementos botânicos conquistaram imediatamente os amantes da moda, enquanto o cenário transformou o desfile numa verdadeira viagem sensorial.
Tal como aconteceu na Dior, o desfile terminou de forma inesperada: em vez da tradicional noiva, foi um elegante vestido preto que encerrou a apresentação.
A Semana da Alta-Costura Outono/Inverno 2026-2027 deixou uma certeza: a moda continua a ser um dos mais poderosos meios de expressão artística.
Num mundo onde a rapidez dita tendências, Paris recordou-nos que ainda existe espaço para o tempo, para o detalhe e para a criatividade sem limites.
Porque, na alta-costura, um vestido nunca é apenas um vestido. É uma ideia, uma emoção e, muitas vezes, uma obra de arte.