ModaLisboa 2026: a capital portuguesa voltou a vestir-se de criatividade
ModaLisboa 2026: a capital portuguesa voltou a vestir-se de criatividade
13/10/2026 / Por Margarida Costa / Moda
Cinco dias, dezenas de propostas e uma Lisboa rendida à moda
Entre propostas arrojadas, novas tendências e o talento de criadores nacionais, a 67.ª edição da ModaLisboa mostrou que a moda portuguesa continua a reinventar-se.
Lisboa voltou a transformar-se numa verdadeira passerelle. Entre os dias 7 e 11 de outubro, a capital portuguesa recebeu a 67.ª edição da ModaLisboa, desta vez sob o conceito Priority, reunindo alguns dos nomes mais reconhecidos da moda nacional e uma nova geração de designers. Durante cinco dias, a cidade foi palco de desfiles, apresentações e iniciativas dedicadas à criatividade, antecipando as tendências para a primavera/verão de 2027.
O Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, voltou a assumir um papel central na programação, mas a moda também ganhou vida noutros espaços emblemáticos da capital. O MUDE – Museu do Design e o Museu do Tesouro Real, no Palácio Nacional da Ajuda, receberam apresentações, reforçando a ligação entre a criação contemporânea, a cultura e o património português.
A edição deste ano ficou marcada pela diversidade de propostas apresentadas. Gonçalo Peixoto, Nuno Baltazar, Dino Alves, Luís Onofre e Valentim Quaresma estiveram entre os criadores que deram forma às próximas tendências, cada um com uma identidade própria.
Gonçalo Peixoto manteve a sensualidade característica das suas coleções, apostando em transparências, rendas e silhuetas que valorizam o corpo feminino. Já Nuno Baltazar apresentou uma abordagem mais elegante e sofisticada, privilegiando tecidos fluidos, cortes alongados e uma paleta de cores equilibrada. Valentim Quaresma voltou a destacar-se pela vertente experimental das suas criações, explorando acessórios escultóricos, materiais reaproveitados e referências futuristas. Por sua vez, Luís Onofre apresentou Chromatic Tension, uma coleção de calçado onde as cores intensas assumiram especial protagonismo. O encerramento ficou a cargo de Dino Alves, que apresentou 60 coordenados numa coleção marcada por volumes expressivos, tule e combinações inesperadas. Uma apresentação que voltou a demonstrar a capacidade do criador de desafiar as convenções e transformar a moda numa forma de expressão artística.
A ModaLisboa não vive apenas dos nomes já estabelecidos. A plataforma Sangue Novo voltou a assumir um papel importante na descoberta de novos talentos, proporcionando aos designers emergentes a oportunidade de apresentarem as suas propostas perante profissionais da indústria. Nesta edição, dez participantes integraram a iniciativa, tendo sido selecionados cinco finalistas: Elio, Francisco Martinho, Granatum, Marta Amorim e Ronni. Os criadores regressarão à competição em março de 2027, dando continuidade a um percurso que pretende impulsionar novas vozes da moda. A programação contou ainda com a estreia da marca espanhola Adolfo Domínguez na Lisboa Fashion Week, reforçando a dimensão internacional do evento e o diálogo entre diferentes perspetivas criativas.
Para além das tendências, a sustentabilidade e a experimentação de materiais estiveram entre os temas presentes nas coleções. O reaproveitamento de tecidos, a valorização de técnicas artesanais e a procura de novas formas de construção das peças demonstraram como a indústria procura conciliar criatividade e responsabilidade.
Entre transparências, cores vibrantes, silhuetas estruturadas e propostas mais conceptuais, a ModaLisboa apresentou uma visão diversificada da próxima estação quente, sem impor uma única direção estética. A 67.ª edição terminou com a certeza de que a moda portuguesa continua a afirmar a sua identidade. Mais do que apresentar roupa, os criadores mostraram diferentes formas de contar histórias, explorar referências culturais e desafiar aquilo que se espera de uma coleção. Porque, na ModaLisboa, a verdadeira tendência continua a ser a criatividade.