Céline Dion voltou aos palcos e seis anos de espera terminaram em Paris
Céline Dion voltou aos palcos e seis anos de espera terminaram em Paris
14/09/2026 / Por Margarida Costa / Música
Céline Dion provou que ainda há capítulos por cantar
Houve lágrimas antes mesmo de a primeira música terminar. A 12 de setembro, Céline Dion realizou o primeiro concerto completo em mais de seis anos, perante cerca de 30 mil pessoas nos arredores de Paris. Depois de uma longa batalha contra o síndrome da pessoa rígida e de anos em que regressar parecia incerto, a cantora cumpriu a promessa que tinha feito aos fãs: voltar a cantar.
Durante anos, a grande questão em torno de Céline Dion deixou de ser quando voltaria aos palcos e passou a ser se conseguiria voltar.
Este sábado, 12 de setembro, a resposta chegou. Aos 58 anos, a cantora canadiana subiu ao palco da Plenitude Arena, em Nanterre, nos arredores de Paris, para o primeiro concerto completo desde março de 2020. Cerca de 30 mil pessoas assistiram ao início de uma nova fase da sua carreira.
Céline abriu o espetáculo com “On ne change pas”, tema lançado em 1998. A emoção tornou-se imediatamente visível: poucos momentos depois de começar a cantar, teve de parar para recuperar a compostura enquanto era aplaudida pelo público. Não era apenas mais uma primeira noite de uma digressão. Era o regresso a um lugar que, durante vários anos, a própria artista não sabia se conseguiria voltar a ocupar.
Ao longo de aproximadamente duas horas, Dion interpretou cerca de 25 músicas, passando por diferentes momentos da carreira. “All By Myself”, “Pour que tu m’aimes encore” e, inevitavelmente, “My Heart Will Go On” estiveram entre os temas do espetáculo.
Em dezembro de 2022, Céline Dion revelou publicamente ter sido diagnosticada com síndrome da pessoa rígida, uma doença neurológica rara que pode provocar rigidez muscular e espasmos e que afetou diretamente a sua capacidade para atuar. A situação obrigou-a a cancelar a Courage World Tour e a afastar-se dos concertos. Desde então, o caminho de regresso envolveu acompanhamento médico e um trabalho intenso de reabilitação física e vocal. O documentário I Am: Céline Dion, lançado em 2024, mostrou de forma particularmente íntima algumas das consequências da doença e a determinação da artista em recuperar a capacidade de cantar.
Céline não esteve completamente afastada dos palcos durante estes seis anos. Em julho de 2024, protagonizou um dos momentos mais marcantes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, interpretando “Hymne à l’amour” a partir da Torre Eiffel.
Foi uma atuação simbólica e um sinal de recuperação. Mas um concerto completo, com dezenas de músicas e mais de duas horas em palco, representava um desafio completamente diferente. A noite de 12 de setembro tornou-se, por isso, o verdadeiro regresso de Céline Dion ao formato que definiu grande parte da sua carreira.
Paris é apenas o início. O concerto abriu uma residência que terá 26 espetáculos, distribuídos entre 2026 e 2027. O regresso foi recebido com enorme entusiasmo pelos fãs, alguns dos quais viajaram para França especificamente para assistir ao momento. E apesar de tudo aquilo que tornou esta noite extraordinária, talvez o momento mais importante tenha sido também o mais simples: Céline estava novamente diante de um microfone, num concerto seu, a cantar para milhares de pessoas.
Durante anos, a sua história foi inevitavelmente contada através da doença, dos cancelamentos e da incerteza sobre o futuro. Na noite de 12 de setembro, voltou a ser contada através da música.
Céline Dion não regressou para fingir que os últimos anos não aconteceram. Regressou depois de tudo o que aconteceu — e talvez seja precisamente isso que tornou esta noite tão especial.