271 anos depois, Lisboa ainda guarda as marcas do terramoto de 1755
271 anos depois, Lisboa ainda guarda as marcas do terramoto de 1755
01/11/2026 / Por Margarida Costa / Sociedade
271 anos depois: o dia em que Lisboa tremeu e Portugal nunca mais foi o mesmo
No dia 1 de novembro de 1755, um dos maiores desastres naturais da história de Portugal destruiu grande parte de Lisboa e mudou para sempre a cidade. Mais de dois séculos e meio depois, a tragédia continua a recordar-nos a força da natureza e a importância de preservar a memória.
Era manhã de Dia de Todos os Santos quando, a 1 de novembro de 1755, Lisboa foi atingida por um violento terramoto. As igrejas recebiam fiéis, as ruas tinham a movimentação habitual de um dia religioso e nada fazia prever a dimensão da tragédia que estava prestes a acontecer. O sismo provocou o desabamento de edifícios e foi seguido por um tsunami e por incêndios que agravaram a destruição. Milhares de pessoas perderam a vida, embora o número exato de vítimas continue a ser incerto.
O terramoto não destruiu apenas edifícios. Alterou profundamente a história e o desenvolvimento da capital portuguesa. A reconstrução da cidade ficou associada à ação de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, durante o reinado de D. José I.
Foi neste contexto que nasceu a Baixa Pombalina, com ruas mais largas, uma organização urbana regular e soluções construtivas destinadas a melhorar a resistência dos edifícios aos sismos, como a chamada gaiola pombalina.
A catástrofe também ultrapassou as fronteiras portuguesas, provocando debates na Europa sobre a natureza, a religião e a forma como os seres humanos compreendem o sofrimento e os desastres.
Hoje, o terramoto de 1755 é muito mais do que um acontecimento estudado nos livros de História. É um lembrete de que, apesar de todos os avanços tecnológicos, não conseguimos impedir a ocorrência de sismos. Podemos, no entanto, reduzir os seus efeitos através da construção adequada, da preparação da população e do conhecimento dos comportamentos de segurança. Portugal continua exposto ao risco sísmico, o que torna essencial preservar a memória de 1755 e promover uma cultura de prevenção.
Passados 271 anos, Lisboa é uma cidade diferente daquela que existia antes do terramoto. Mas a sua arquitetura, as ruínas do Convento do Carmo e o desenho da Baixa continuam a contar parte dessa história.
Recordar o dia 1 de novembro de 1755 não significa apenas olhar para uma tragédia do passado. Significa reconhecer o impacto que teve na sociedade portuguesa e compreender que a preparação para o futuro também depende da memória coletiva. Porque a História não serve apenas para recordar aquilo que aconteceu. Serve também para nos ensinar a enfrentar aquilo que ainda pode acontecer.