Portugal vai voltar a viver um eclipse total do Sol. E há mais de um século que isso não acontecia
Portugal vai voltar a viver um eclipse total do Sol. E há mais de um século que isso não acontecia
08/08/2026 / Por Margarida Costa / Sociedade
114 anos depois, Portugal volta a ver o Sol desaparecer
Há fenómenos que acontecem apenas uma vez na vida. Outros nem sequer chegam a acontecer durante várias gerações.
É precisamente isso que vai acontecer a 12 de agosto de 2026, quando Portugal voltar a assistir a um eclipse total do Sol, um acontecimento que não era visível no território continental desde 17 de abril de 1912. Mais de 114 anos depois, o céu voltará a proporcionar um dos espetáculos naturais mais impressionantes que existem.
Um eclipse total do Sol ocorre quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, cobrindo completamente o disco solar durante alguns minutos. Nesse breve instante, o dia transforma-se quase em noite. A luz diminui drasticamente, a temperatura pode baixar alguns graus, algumas estrelas tornam-se visíveis e a coroa solar a camada mais externa do Sol, surge a olho nu, criando uma imagem rara e inesquecível.
É um fenómeno que continua a fascinar cientistas e apaixonados pela astronomia em todo o mundo.
Embora existam eclipses solares com alguma regularidade, um eclipse total visível a partir de Portugal continental é extremamente raro.
O último aconteceu em 1912, numa época em que o país vivia uma realidade completamente diferente. Ainda não existia televisão, a rádio dava os primeiros passos e observar um eclipse dependia apenas do olhar humano e de alguns instrumentos científicos da época.
Agora, mais de um século depois, milhões de pessoas poderão acompanhar o fenómeno em tempo real, partilhando imagens, transmissões e explicações científicas através das mais variadas plataformas.
A experiência dependerá do local onde cada pessoa estiver.
Algumas zonas do país ficarão diretamente na faixa da totalidade e poderão observar o Sol completamente encoberto durante alguns minutos. Noutras regiões, o eclipse será parcial, com uma grande parte do Sol coberta pela Lua, mas sem atingir a escuridão total. Ainda assim, será um momento especial para praticamente todo o território nacional.
Um eclipse total não impressiona apenas quem olha para o céu. Durante aqueles minutos, muitos animais alteram o seu comportamento, acreditando que a noite chegou mais cedo. É comum observar aves a regressarem aos ninhos, insetos noturnos a tornarem-se ativos e uma redução temporária da temperatura ambiente. O silêncio que muitas pessoas descrevem durante a totalidade é uma das experiências mais marcantes de quem já assistiu a este fenómeno.
Apesar da expectativa, há uma regra que nunca deve ser ignorada.
Olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões graves e permanentes na visão, mesmo quando grande parte do disco solar já está coberta. A observação deve ser feita apenas com óculos certificados para eclipses solares ou através de equipamentos próprios para astronomia. Óculos de sol comuns, radiografias, vidros escurecidos ou outros métodos improvisados não oferecem proteção suficiente.
Ao longo da História, os eclipses foram vistos como sinais divinos, presságios ou acontecimentos sobrenaturais.
Hoje conhecemos perfeitamente a explicação científica por detrás deste fenómeno. Ainda assim, a emoção continua a ser a mesma. Talvez porque um eclipse total nos recorda algo que facilmente esquecemos no dia a dia: fazemos parte de um universo muito maior do que nós. Durante apenas alguns minutos, milhões de pessoas irão levantar os olhos ao céu para assistir ao mesmo fenómeno.
Num mundo cada vez mais acelerado, talvez seja precisamente isso que torne este momento tão especial. Não é apenas um eclipse. É um acontecimento raro que voltará a unir ciência, natureza e curiosidade humana, oferecendo a Portugal um espetáculo que mais nenhuma geração viva teve oportunidade de presenciar até agora.