Sydney Sweeney, desporto e polémica: onde termina a provocação e começa a sexualização?
Sydney Sweeney, desporto e polémica: onde termina a provocação e começa a sexualização?
15/09/2026 / Por Margarida Costa / Sociedade
Sydney Sweeney volta a dividir opiniões, desta vez, o debate chegou ao desporto
Bolas, equipamentos desportivos e Sydney Sweeney quase sem roupa. A nova campanha da atriz para a plataforma Novig queria falar de “apenas desporto”, mas acabou por abrir uma discussão bem diferente: onde termina a provocação publicitária e começa a sexualização das mulheres no desporto?
Sydney Sweeney voltou a estar no centro de uma campanha impossível de ignorar. Desta vez, não há jeans, mas futebol americano, basquetebol, ténis, hóquei e outros elementos do universo desportivo.
A atriz de 28 anos é o rosto da primeira grande campanha nacional da Novig, uma plataforma norte-americana de mercados de previsão desportiva. O conceito chama-se “Just Sports” e parte de uma ideia aparentemente simples: a empresa quer concentrar-se apenas no desporto, sem mercados relacionados com política, guerras ou mortes. A execução, porém, tornou-se muito mais discutida do que a mensagem.
No anúncio, Sweeney surge nua ou com muito pouca roupa, enquanto bolas, proteções e outros equipamentos desportivos são estrategicamente posicionados para cobrir o corpo. Ao longo das diferentes cenas, aparecem referências a modalidades como futebol americano, basquetebol, ténis, hóquei, golfe e futebol.
A provocação é deliberada. A própria atriz explicou que o objetivo passava por desenvolver uma ideia divertida e simples, centrada exclusivamente no desporto, recorrendo à confiança, ao humor e a uma abordagem provocadora. E o envolvimento de Sweeney vai além de protagonizar o anúncio: é também parceira estratégica e detém uma participação na Novig. Só que a campanha não demorou a provocar uma reação que provavelmente não cabia no slogan.
A polémica ganhou outra dimensão quando mulheres ligadas ao desporto começaram a questionar a forma como a campanha representa o universo feminino.
Entre as vozes críticas encontra-se Ariarne Titmus, campeã olímpica australiana de natação, que considerou a campanha prejudicial para o trabalho desenvolvido pelas mulheres para serem reconhecidas pelas suas capacidades desportivas. Outras atletas, entre elas a jogadora de polo aquático Tilly Kearns e a nadadora Lani Pallister, também participaram na discussão.
Algumas responderam publicando imagens das suas próprias carreiras, treinos e competições, numa tentativa de recentrar a conversa naquilo que consideram ser a verdadeira representação das mulheres no desporto: desempenho, esforço, talento e conquista. A discussão, por isso, rapidamente deixou de ser apenas sobre Sydney Sweeney. Passou a tocar numa questão que acompanha há décadas a representação das atletas: porque é que, tantas vezes, o corpo feminino continua a receber mais atenção do que aquilo que esse corpo consegue fazer?
É precisamente aqui que a campanha se torna mais interessante enquanto fenómeno cultural.
Criticar a sexualização de uma mulher não significa necessariamente defender que as mulheres não possam escolher apresentar-se de forma sensual. Sweeney participou ativamente no conceito e descreveu-o como uma campanha feita com confiança e humor. Há, portanto, duas leituras a coexistir.
De um lado, estão aqueles que veem uma mulher adulta a controlar a própria imagem e a utilizar deliberadamente a sensualidade como ferramenta de comunicação. Do outro, atletas questionam o impacto de voltar a associar o corpo feminino à promoção de um produto ligado ao desporto, num setor onde as mulheres continuam a lutar para que o seu valor não seja reduzido à aparência. Talvez seja precisamente essa tensão que explique porque o anúncio está a gerar tanta conversa.
A polémica surge pouco mais de um ano depois de outra campanha protagonizada pela atriz ter dominado as redes sociais.
Em 2025, Sydney tornou-se o rosto da campanha “Sydney Sweeney Has Great Jeans”, da American Eagle. O jogo entre as palavras inglesas jeans e genes gerou críticas e interpretações relacionadas com padrões genéticos e eugenia, embora a marca tenha defendido que a campanha era sobre os seus jeans.
Agora, o contexto é completamente diferente, mas o resultado tem algo em comum: Sydney Sweeney volta a ser o centro de uma campanha que transforma publicidade numa discussão cultural. E, neste caso, talvez a pergunta mais interessante nem seja se o anúncio foi demasiado longe. É perceber porque, em 2026, uma campanha que promete falar de “apenas desporto” conseguiu fazer com que quase toda a gente estivesse a discutir outra coisa.