Tem os óculos do eclipse e não sabe o que lhes fazer? Guarde-os: o céu ainda tem muito para mostrar
Tem os óculos do eclipse e não sabe o que lhes fazer? Guarde-os: o céu ainda tem muito para mostrar
15/08/2026 / Por Margarida Costa / Sociedade
Não deite fora os óculos do eclipse: vai voltar a precisar deles
O eclipse de 12 de agosto de 2026 já passou. Milhares de pessoas olharam para o céu, fotografaram o momento e guardaram uma pequena recordação do acontecimento: os óculos de proteção solar.
E agora?
Antes de os colocar numa gaveta e esquecer que existem ou de os deitar fora há uma boa razão para os guardar. Portugal vai voltar a assistir a eclipses solares nos próximos anos e 2027 e 2028 reservam dois momentos particularmente especiais.
Na verdade, a Península Ibérica atravessa um período astronómico invulgar: a Agência Espacial Europeia destaca três grandes eclipses solares consecutivos na Europa, em 2026, 2027 e 2028.
Marque a data: 2 de agosto de 2027.
Nesse dia acontece um novo eclipse total do Sol, cuja faixa de totalidade atravessará o sul de Espanha, seguindo depois pelo Norte de África e Médio Oriente, incluindo zonas de Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita e Iémen.
Em Portugal, porém, o eclipse de 2 de agosto será parcial. E nem por isso deixará de ser impressionante.
Em Lisboa, por exemplo, o fenómeno começa por volta das 08h40, atinge o máximo aproximadamente às 09h44 e termina perto das 10h55. A magnitude prevista é de cerca de 0,93.
A proximidade da faixa de totalidade fará com que grande parte do Sol fique ocultada em várias regiões portuguesas. Em Cascais, por exemplo, as previsões apontam para cerca de 92,6% do disco solar coberto no máximo do eclipse.
Quem quiser experimentar a totalidade terá de se deslocar para a faixa correspondente — sendo o sul de Espanha uma das opções mais próximas de Portugal.
Se 2027 já será especial, 26 de janeiro de 2028 promete outro espetáculo.
Desta vez acontece um eclipse anular do Sol. Ao contrário de um eclipse total, a Lua não consegue cobrir completamente o disco solar. No momento máximo, permanece visível uma circunferência luminosa em redor da Lua, o famoso “anel de fogo”. E aqui Portugal terá um lugar privilegiado.
Segundo a Agência Espacial Europeia, a faixa do eclipse anular atravessará o sul de Portugal, seguindo depois por Espanha.
Noutras regiões portuguesas, o fenómeno será observado como eclipse parcial. Em Lisboa, por exemplo, deverá começar pelas 15h31, atingir o máximo às 16h54 e terminar perto das 17h50.
Ou seja: depois do eclipse de 2026, Portugal ainda terá motivos para continuar a olhar para o céu.
Então... pode mesmo guardar os óculos?
Sim, desde que estejam em boas condições e continuem a cumprir as normas de segurança aplicáveis à observação solar.
Antes de uma futura utilização, é essencial verificar se as lentes apresentam riscos, furos, rasgões ou outros danos e seguir sempre as instruções do fabricante. Nunca se deve observar diretamente o Sol através de proteção danificada.
E há outro detalhe importante: durante um eclipse anular, o Sol nunca fica completamente ocultado. Portanto, a proteção ocular adequada continua a ser necessária durante todo o fenómeno.
2026 trouxe um eclipse total à Península Ibérica.
Em 2 de agosto de 2027, outro eclipse total atravessa o sul de Espanha e será observado parcialmente em Portugal. E, a 26 de janeiro de 2028, será a vez de um eclipse anular atravessar o sul português. Por isso, aqueles óculos que pareciam ter servido apenas para alguns minutos podem ainda ter história pela frente.
Guarde-os num local seguro. O céu ainda não acabou de nos surpreender.